Ao conversar com algum japonês sobre o tema Disney, logo o que vem à cabeça dele é o Mickey Mouse, o ursinho Pooh, a Minnie, historinhas infantis e a própria Disneylândia, que fica a apenas 45 minutos de trem de onde moro. Mas quando se fala que existem quadrinhos Disney, muitos dizem que nunca ouviram falar. Nada mais normal visto que atualmente não existem quaisquer publicações periódicas de quadrinhos Disney.
No Japão a marca Disney tem um grande poder comercial e muitas vezes temas Disney vem estampados em rótulos de refrigerantes, embalagens de pão entre outras coisas. Existem também selos postais, chaveiros, calendários, bolsas, acessórios para carro, enfim, uma enorme variedade de produtos que levam a marca Disney.
Com relação a material impresso, circulam várias revistas periódicas abordando o mundo Disney, geralmente trazendo assuntos como filmes Disney em cartaz, lojas e restaurantes existentes na Disneylândia, propagandas e mais propagandas. Quadrinhos que é bom nada.
Mas no passado, posso dizer na minha modesta opinião, houve uma época de auge dos quadrinhos Disney por aqui.
Voltemos no tempo, precisamente em outubro de 1960, começava a circular mensalmente a revista "país Disney", ou melhor adaptando revista "Disneylândia":
Naquela época os japoneses traduziram literalmente o "Disneyland" para o idioma deles. Atualmente eles simplesmente escrevem "Disneyland" usando o alfabeto japonês. Algo curioso, visto que atualmente o Japão não traduz mais nada que venha do inglês, aliás muito pelo contrário, substituem cada vez mais palavras já existentes no idioma por oriundas do inglês, acabando com a beleza do idioma japonês em si.
Essa revista circulou de 1960 a 1964, sendo as primeiras dez edições com 40 páginas cada uma. As edições seguintes passaram a ter o dobro de páginas e com isso passou também a custar o dobro. O preço na época era de 50 ienes e depois passou a custar 100 ienes.
Isso me fez pensar como a inflação castigou também o Japão naquela época até os dias atuais. Hoje em dia não se compra um gibi colorido, mesmo que seja usado por 50 ienes, ainda mais sendo lançamento.
Foi numa ida à Tóquio resolver uns assuntos que ao passar num sebo encontrei essas raras edições desde o primeiro número ao número 8 do ano seguinte.
O curioso é que o primeiro exemplar vem com o número 10 estampado na capa, mas faz referência ao décimo mês, ou seja outubro. Essas revistas não possuíam uma numeração sequencial, a cada ano que se iniciava, a contagem recomeçava do 1 ao 12. Como o gibi foi lançado em outubro de 1960, o fascículo número um acabou sendo o número 10. Coisas de japoneses...
Este gibi trazia histórias com os personagens mais variados, me fazendo recordar do nosso extinto almanaque Disney.
Continha histórias do Carl Barks, Paul Murry, Tony Strobl entre outros mestres da época.
Trazia uma seção com matérias sobre animais, assim como "as maravilhas da natureza" do nosso almanaque.
No título: "すばらしい自然を観察しましょう" (vamos observar a maravilhosa natureza).
A qualidade do papel era muito boa para os padrões da época e as imagens ficavam bem destacadas.
E como qualquer revista de qualquer época, trazia propagandas. Abaixo uma propaganda dos caramelos de um fabricante japonês bem conhecido.
Encontrar essas revistas hoje em dia em bom estado não é nada fácil, principalmente as edições que vem com mais páginas, visto que com o aumento das páginas, começaram a usar um papel de menor qualidade e com isso foram se tornando menos resistentes à ação do tempo, ficando escuros e com péssimo odor de mofo.
Tive a sorte de encontrar estas revistas em ótimo estado de conservação, apenas com os grampos oxidados, que eu acabei trocando por novos feitos de material de baixa corrosão. A seguir seguem as capas das revistas que encontrei no sebo, do primeiro número (número 10) ao número 8 do ano seguinte:
Os sebos são sempre verdadeiras arcas do tesouro, ainda mais quando se paga muito pouco por essas preciosidades. Devido ao fato de não ter muita procura essas revistas estavam à venda por "preço de banana".
São poucos os sebos em que se encontram gibis da Disney mesmo sendo em outro idioma, por isso eu sempre vou naqueles sebos que compram de tudo, onde as chances são maiores.
É, meus amigos... embora por tão pouco tempo que circularam essas revistas, esse foi o auge dos quadrinhos Disney na terra do sol nascente.
Em 1965 lançaram outros gibis do Mickey e do Donald, mas não vingaram.
Na do Donald que eu encontrei, traz a história "o segredo do castelo" porém redesenhada por artistas japoneses. Um verdadeiro horror, na minha opinião. Não tem como substituir os traços do mestre Carl Barks.
Vejam como o Tio Patinhas ficou feio redesenhado:
E vejam o original:
Sabe qual foi a sensação que eu tive quando abri a revista e vi essa obra do Carl Barks redesenhada? A mesma que nós temos quando ouvimos uma ótima canção do passado regravada por qualquer cantorzinho da atualidade.
Enfim, serve como curiosidade.
São coisas como essas e outras que me fazem dizer: "1960 a 1964, o auge dos quadrinhos Disney no Japão".

Oi Silvio, muito legal ver esta postagem com os gibis Disney japoneses dos anos 60. Eu até reconheci aquela hq do Mickey e Pateta com o velho índio, só não me lembro agora o nome da história,rs.
ResponderExcluirE gostei de ver os detalhes, os gibi são bem diversificados, tipo um Almanaque Disney mesmo.
Quanto a redesenhar histórias, feito por artistas locais, aqui no Brasil também tivemos um período assim. Os artistas nacionais pegavam hqs dos EUA e trocavam até personagens. Lembro bem de aventuras onde Donald e sobrinhos contracenavam no original e na cópia brasileira eram interpretados pelo Zé Carioca e os sobrinhos dele. Esta situação lamentável, que alguns colecionadores daqui acham legal, ficou conhecida como "Zé Fraude", porque havia necessidade de histórias do papagaio, mas não tinham tempo de produzir, ou alguma coisa assim. Eu não gosto que modifiquem uma hq, devem deixar no original. Mas, enfim... coisas que acontecem...
Quanto a numeração reiniciar todo ano, acho legal isso. Vi isso acontecer nos Pato Donald da Holanda e Bélgica dos anos 70, é uma curiosidade a mais.
Bacana também saber que você está pertinho do parque temático da Disney. E aí? Já foi lá passear? O que achou?
Ainda sobre mudanças no idioma e uso de palavras estrangeiras, eu concordo com você, o idioma japonês tem uma grafia tradicional e muito bonita, não precisam ficar usando o inglês, que já é bem batido pelo mundo.
Parabéns pelos lindos exemplares da coleção, e também pelo cuidado em trocar os grampos oxidados. Estes quadrinhos são preciosos, e devem mesmo ser preservados com carinho.
Abraços, e um bom dia...
Olá, Paulo!
Excluiressa hq do Mickey e Pateta está com o título em japonês de "aventura no Alasca" . Eu tenho também a impressão que já li antes.
Os Almanaque Disney eram os meus favoritos, não só pelo número de páginas mas também por ter histórias com os mais variados personagens. Eu gostava muito das histórias com o bichinho Bucky, lembra-se dele? Eram muito boas.
Essa questão da numeração reiniciar todos os anos acontece atualmente nos gibis mensais do Mickey lá na China. E eu gosto disso pois pode-se formar uma sequência completa só de um determinado ano para deixar na coleção.
Quanto a Disneylândia, eu nunca fui lá, já passei várias vezes de trem bem em frente mas sempre tem gente demais nas filas para comprar o ingresso (leva-se horas de espera!). E mesmo comprando o ingresso antecipado ainda assim não é fácil entrar lá. Sem falar que lá dentro mesmo, independente de qual época do ano, sempre está lotado. E eu prefiro locais sem muita gente.
Os japoneses exageram no uso de palavras estrangeiras no dia-a-dia. Tudo bem que no Brasil temos o uso de algumas palavras vindas do inglês, mas aqui eles até substituem as já existentes no próprio idioma japonês por palavras vindas do inglês. Isso vai acabando com a beleza em si do idioma japonês.
Imagina se no Brasil a frase que falamos por exemplo: "hoje fui comprar gibis num sebo." depois de um tempo passasse a ser falado assim: "Today fui comprar comics num sebo.". Muito feio, não? Pois é, mas é justamente o que acontece com o idioma japonês atual. Uma pena...
Um bom dia para você!
Uma pena os quadrinhos disney não fazerem tanto sucesso no Japão!
ResponderExcluirQue bom que consegui essas raridades em tão bom estado, e por um preço bem baixo. Como o Tio Patinhas ficou feio redesenhado, rs, ainda bem que isso não acontece atualmente.
Abraços!
Eu creio que aqui no Japão os quadrinhos Disney nunca vão fazer sucesso. Os japoneses, embora queiram copiar tudo dos americanos e europeus, ainda não aceitam tão fácil "patos ou ratos falantes" que levam um dia-a-dia como humanos, por mais que muitos mangás daqui tenham conteúdo tolo.
ExcluirTanto é que eu creio que redesenharam histórias já existentes só para dar um ar mais "manganizado" e ficou feio demais, sem ofensas aos desenhistas.
Tenha um bom dia!
Que bom que ''conseguiu'', hehehe, errei no comentário acima...
ResponderExcluirBoa noite Silvio!
ResponderExcluirDesculpe o incômodo novamente mais comentei no post anterior, agora sim ....segue o comentário rsrs
Passei aqui pelo seu blog e gostei muito também!!! Não coleciono os quadrinhos Disney mais acho muito legal e já li vários, hoje em minha coleção tenho apenas um "Temático" que foi o título; "Na terra dos Faraós" o qual gostei muito! Também gosto muito da cultura Egípcia.
E deixo aqui o comentário que fiz no blog do Paulo "Colecionando Quadrinhos":
IMPRESSIONANTE!!!!! PARABÉNS MESMO!!!!! Gostei muito mesmo, este retrato feito á nanquim ficou excelente, o nanquim é um material muito difícil de trabalhar, eu tenho alguns trabalhos mais com a técnica de hachuras não me adaptei muito bem devido a dificuldade de trabalhar os tons.
Quanto á construção do violão .... FANTÁSTICO!!!!! Estou sem palavras....... o violão clássico eu adoro!!! Com certeza você já ouviu ou estudou o mestre Dilermando Reis ou então o espanhol Paco de Lucía que também gosto muito e foi um grande mestre! Fiquei impressionado mesmo....
Novamente PARABÉNS!! Você é um verdadeiro artista!
Grande abraço!!!
Obrigado pela visita no meu blogue e pelos elogios.
ExcluirConstruir um violão não é nada fácil, ainda mais se se tratar do primeiro. Tive que pesquisar muito, coletar informações e mais informações até chegar no projeto e finalização. Mas depois de tudo, o resultado final já compensa tudo.
O Paco de Lucia eu conheço bem. A habilidade dele no violão flamenco é fantástica. Ele aparece num clipe do Bryan Adams, o "have you ever really loved a woman?" fazendo o solo. Quando tiver um tempo dá uma olhada.
Tenha um bom dia!
Boa tarde Silvio!!
ResponderExcluirJá tinha visto este clip e realmente é fantástico, gosto muito também do Tonino Baliardo do Gipsy Kings, inclusive a banda é muito boa, segue 3 músicas.... se você tiver um tempo, dá uma olhadinha.....
https://www.youtube.com/watch?v=b17BjPLWGZQ
https://www.youtube.com/watch?v=EZ1NS8AVFBQ
E este cantando o clássico de Frank Sinatra " My Way", esta versão eu achei linda mesmo:
https://www.youtube.com/watch?v=avGAe9EVkjc
Grande abraço!!