sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Estudando idiomas ao lado de gibis...

Quem nunca quis aprender outro idioma? Saber o significado de caracteres para nós desconhecidos sempre foi o alvo da curiosidade de muitas pessoas e comigo não foi diferente.




Alguns presunçosos, aspirantes a intelectuais menosprezam muitos que gostam de ler um bom gibi, os rotulando como pessoas de baixo nível intelectual. Eu adoro ler gibis e foi através da leitura de gibis que tive minha motivação para aprender outros idiomas. 




Outro dia pesquisando pela internet alguns vídeos sobre poliglotas vi um caso de um brasileiro que diz que aprendeu três idiomas durante os sonhos que teve com três meninos de diferentes países. Para muitos isso foi uma obra divina, algo que não é para ser explicado e somente admirado. 



Eu sou cético, a vida pela qual passei fez de mim uma pessoa extremamente cética. Se no passado fui extremamente religioso hoje sou totalmente cético em relação a religiões ou coisas "anormais" demais para mim. Seguir uma religião, ter fé num deus traz para a pessoa um certo consolo e conforto mas eu prefiro buscar dentro de mim mesmo o equilíbrio.




Não acredito no caso fantasioso que vi dessa pessoa que aprendeu os idiomas durantes os sonhos. Apenas acredito no óbvio que é essa pessoa, mesmo sem muitos recursos, ter se esforçado em aprender tais idiomas.
Devido a minha origem ser de italianos e japoneses, sempre tive contato com esses dois idiomas desde a infância e quando passei a viver com meus avós japoneses passei a aprender mais o idioma japonês, sobretudo a ler e escrever. Porém aos 12 anos de idade tive contato com um outro idioma estrangeiro que não tem relação alguma com as minhas origens. 
Minha infância e adolescência foram muito pobres. Foi num dia como outro qualquer que saí com meu avô para catar papelão pelas ruas e fomos chamados por uma pessoa para coletarmos os entulhos que essa pessoa queria se livrar. Chegando lá enchemos dois carrinhos com latas, garrafas, jornais, revistas e livros velhos.
Após voltarmos para casa separamos o lixo e como de costume, as revistas e livros em bom estado eu fui separando com cuidado para depois vendê-las ou trocá-las por gibis num sebo. Me recordo que uma revista "Manchete" valia dois gibis do "Pato Donald" ou um "Almanaque Disney"; e a revista "Playboy" então nem me fale, valia dois gibis "Disney Especial". Foi quando no meio de tantas revistas e livros eu encontrei um livro de árabe básico. Foi meu primeiro encontro com um idioma diferente dos das minhas origens. Dias depois estava eu aprendendo as primeiras letras em árabe e tentando pronunciá-las.



Com exceção desse livro de árabe eu também possuía livros de italiano e francês que havia conseguido nos sebos onde levava as revistas e livros que catava no meio do lixo que era descartado por aí. Na época eu poderia também fantasiar dizendo que alguns anjos vinham nos meus sonhos e estavam me ensinando o árabe e o francês mas tudo se devia ao meu esforço próprio.

Tudo tem uma explicação lógica e plausível. Porém não discordo que vez por outra é belo fantasiar um pouco para quem sabe trazer um pouco de esperança e fé nas pessoas que estão um tanto perdidas nesse mundo desgastante e cheio de lixo espalhado por nós seres humanos. 




Atualmente tenho acesso a livros bons para aprender idiomas. Ouvir dizer de casos de pessoas "fluentes" em mais de 20 idiomas. Mas esses casos eu também não acredito. Não duvido da capacidade do ser humano mas uma pessoa para ser fluente em qualquer idioma precisa estar praticando constantemente. Isso inclui falar, ler, escrever e pronunciar corretamente. Eu acredito que uma pessoa possa ser fluente em até no máximo cinco idiomas diferentes, os restantes são os ditos "quebra galhos". Apesar dos nossos meios modernos como a internet, fica muito difícil pôr em prática cinco idiomas diferentes, portanto 20 ou mais fica impossível. A menos que a pessoa não trabalhe, não coma, não durma e possa ficar 24 horas por dia na frente do computador conversando com pessoas do mundo todo do contrário fica impossível. Digo isso por experiência própria.




Nesses meus 37 anos de vida estudei vários idiomas, poderia fazer uma apresentação pessoal e contar algumas coisas do dia-a-dia nesses idiomas e fazer um vídeo dizendo que sou poliglota e fluente em tais idiomas. Mas a realidade é bem diferente. Não conseguiria entender bem um nativo de tais línguas e muito menos conversar com os mesmos de maneira fluente. Já estudei árabe, coreano, chinês, francês, grego, hebraico, inglês, italiano, japonês, persa e atualmente o alemão. Desses idiomas, posso dizer que sou fluente apenas em japonês, devido ao fato de eu estar vivendo no Japão e usá-lo todos os dias do ano e chinês por eu trabalhar junto com muitos chineses e quase todo dia conversar com eles em chinês, isso além de ler gibis em chinês.





Já o italiano faz mais de 20 anos que não converso com ninguém neste idioma, apenas mantenho ativas a leitura (através dos gibis) e a escrita (através de cartas e e-mails que escrevo a um amigo italiano). Para manter os ouvidos em dia, vez por outra assisto a DVDs e escuto uma estação de rádio italiana pela internet. Porém confesso que atualmente teria dificuldades para conversar em italiano.



O árabe só mantenho ativas a leitura, graças aos gibis egípcios, e a escrita. Se vier um árabe conversar comigo eu não entenderia nada mais do que as frases bem simples e mal saberia conversar com o mesmo.



Quanto aos idiomas restantes que citei anteriormente, com exceção do alemão que atualmente pratico através dos maravilhosos gibis alemães, muitos por falta de uso e de estudar mais já não compreendo muita coisa. Portanto, não acredito que ser humano algum seja capaz de ser fluente em mais de 5 idiomas. 



Mas uma dica que dou para aqueles que querem aprender algum idioma é encontrar algo para fazer uso do tal idioma em questão. Seja ler um bom gibi nesse idioma, seja fazer uma amizade virtual para pôr em prática, seja vendo filmes ou escutando músicas, o importante é aprender fazendo algo que te dê prazer e motivação para seguir adiante. Não adianta empurrar cérebro adentro lições e mais lições de idiomas. Tudo que se decora se esquece, o que aprende adormece mas se desperta em algum momento da vida com a volta do uso.

Ao ver pelo inducks que muitas histórias nem sequer foram publicadas no Brasil começo a ver ainda mais a necessidade de aprender o idioma no qual tal gibi está escrito, que no meu caso se tratam de gibis em alemão, árabe, chinês, grego, inglês e italiano. 




Não pretendo me tornar um poliglota, um cara famoso por saber "fluente" 20 ou mais idiomas. O mais importante para mim é poder ler e entender bem alguns idiomas dos quais preciso saber para tirar o máximo de proveito da leitura dos meus gibis Disney estrangeiros. A vontade de poder ler tais gibis estrangeiros com hqs inéditas me traz motivação suficiente para me dedicar algumas horas do meu dia de folga estudando e tendo ótimos resultados.  E depois alguns dizem por aí que ler gibis "emburrece" a pessoa...


3 comentários:

  1. Oi Silvio, também acho impossível a pessoa saber falar fluentemente 20 idiomas, mas, aprender 3 ou 4 línguas é bem possível, inclusive muitas pessoas conseguem. No meu caso, me preocupo apenas em aprender a ler, para poder ler os quadrinhos que chegam até mim, na coleção. Com o italiano foi bem fácil a compreensão, pela proximidade da nossa língua que tem raiz latina. Outros idiomas como o espanhol também não são tão difíceis, apesar de ter algumas palavras específicas que tem significado e sentido diferentes que o português. Neste sentido até mesmo o português de Portugal chega a ser um pouco diferente do que o desenvolvido no Brasil, e algumas palavras a gente estranha e aprende.

    Já o idioma alemão é um desafio gostoso, porque a gente sente que é possível aprender, mas, percebe que é difícil pela extensão das palavras e expressões e pelo falta de vogais, ou uso bem restrito delas. Enfim, tudo isso fica muito mais gostoso se for acompanhado de belas histórias Disney dando a motivação necessária para aprender. Eu gosto sempre que possível de acompanhar também a história publicada no Brasil, sei que a tradução não é ao pé da letra, mas, dá uma base ao que se está estuando, comparando quadro a quadro, fala a fala. Outra coisa que ajuda é o Google Tradutor que fica à mão na hora da leitura, mas, vi na postagem que você tem diversos dicionários físicos, isso é muito bom, pode acompanhar a toda hora com o gibi e o dicionário sem ter que ligar computador. Parabéns pela postagem, pelo apreço aos Quadrinhos Disney e pela disposição em aprender coisas novas. Concordo com você que gibi é uma leitura de pessoas inteligentes, algumas vezes até mais de quem só lê livro, pois tem cada livro que não leva a pessoa a lugar nenhum. Abraços e tudo de bom.

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    1. Olá, Paulo!
      O português de Portugal é realmente diferente do nosso português. E falado mais ainda. Quando assisti a um noticiário em português lusitano quase não entendi nada. Precisava escutar várias vezes para entender o que estavam dizendo. Parece até outro idioma. hehe
      O alemão é um idioma que tem lá as partes difíceis mas não chega a ser impossível o seu aprendizado. Eu mesmo me encantei muito com esse idioma. Já o árabe, a gramática é muito mais difícil do que eu imaginava. Mas depois que se aprende e você percebe que consegue ler e entender muita coisa já sem o dicionário, vem aquela sensação de satisfação pessoal que não tem preço.
      Sem dúvida alguma, gibi é leitura de pessoas inteligentes. Eu já ouvi muitos dizerem frases do tipo: "eu sou uma pessoa culta, ou pensa que eu só leio gibis?" Quanta "cultura" pode ter uma pessoa que menospreza uma das formas de arte tão bela que são os quadrinhos? Quanta ignorância... Eu posso dizer que os gibis me trouxeram muito mais conhecimento do que certos livros sem conteúdo que já li por aí.
      Tenha um bom dia!

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  2. Oi, Sílvio.

    Acho que, aos poucos, esse preconceito com quadrinhos vem acabando. Aos poucos..

    Gostei de seu relato sobre ter contato com outros idiomas e, principalmente, de seus pés no chão, sobre ser realmente "fluente" noutra língua. Também penso assim.

    E gostei de conhecer um pouco de seu relacionamento com seu avô.

    Abraços!!!

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